Mostrando postagens com marcador Gauchismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gauchismo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Romance de Peão (O Tobiano Capincho)


ROMANCE DE PEÃO (O TOBIANO CAPINCHO)
(Aureliano de Figueiredo Pinto)

Este tobiano da Estância
foi o bicho mais maleva
que o diabo inventou pra um peão!
Zolhos de chancho, cabano,
sargo, coiceiro, aragano,
manoteador e bufão.

Peão que chegasse atrasado
na segunda, mui sovado
da farra pelo rincão
já se sabia - a sua pena
era encilhar o ventena
que ansim mandava o Patrão.

Uma feita ... era segunda ...
na estância .... ao clarear do dia ...
com cara de laço novo ... cheguei ...
já estava meu povo na mangueira ...
E alguém gritou quando já davam cavalo:
- Lace o tobiano capincho
pra esse que vem dos bochincho
do rincão do Cantagalo!

Que sina! ... se eu tinha o peito
mais puro que a Estrela D'alva
que bico de beija-flor!
Qual bochincho ... se eu voltava
de ver a prenda que amava
todo enredado de amor.

Virge do céu ... será o diabo ...
Um cristão que andou bailando
por duas noite e treis dia
com no ouvido as harmonia
da cordeona retrechando
e o coração sarandeando
numa vanera macia ...

Nos olhos tontos de sono,
como em espelho pequeno
aquele corpo moreno
com crespos que o vento bate!
E o auroma à flor e a sereno
que vem na prosa em cochicho ...
- Que auroma! ... Não vi em bolicho ...
nem nos baús dos mascate.

E os negro olhos ariscos
como iaras bombeaderas
nas poças que a seca embarra
na sombra de um caponé ...
E que maneia ginete
como pealo de cucharra!

Quanta coisa ela me disse
não dizendo quaje nada!
Quanta coisa ela entendeu
da minha boca cerrada
- porteira do coração!
... E agora, eu moço monarca,
chego batendo na marca
no meu ofício de peão ...

Bonito! Agora acordar
de um sonho que é um lindo engano!
Soltar o corpo franzino
em que envidei meu destino
pra me trompar com o malino
que é este capincho tobiano!

Chego ... E, "Bom dia Senhores!"
largo já meio coverda...
E me respondem - "Boa tarde!
Dormiu nas palhas paissano!
Largue esse! Traga o buçal!
A la putcha que é desigual
a sorte de um campechano!

Vinha o tobiano no laço
como dourado na linha!
Ligeiro como tainha
como traíra de açude!
Dando mais pulos e saltos
que um calcuta na rinha!
Haaa! ... quando a sorte é mesquinha
não hai feitiço que ajude!

Pra encilhá o venta rasgada
foi abaixo de oração ...
E já maneado e enfrenado
foi luita pra arregla os troço!
Rezei quatro Padre-nosso
só pra sentar o xergão ...

Cheguei a carona e os basto.
E quanto a cincha tinia
o infame se foi pra o céu.
Voltou ... Tombou de boléu.
Quaje perdendo o chapéu
rezei quatro Ave-Maria ...

E o urco como um bodoque!
Traiçoero ... Olhando pra tras,
com a cincha no osso do peito!
... e eu ... le ajeitando ... com jeito ...
por causa do capatais ...

Depois de bem encilhado
tranqueou com passo de tango
muito mal intencionado,
encolhido e retovado!
Eu vi minha vida pequena ...
Corri os olhos na chilena
e olhei pra tala do mango ...

Na voz de - "bamos moçada!"
campeei a volta e montei
já certito e firme nos basto!
Já o bicho se vinha urrando
ladeadito ... se brandeando
como cotiara de arrasto ...

Nós fumo naquela toada ...
nessa dança desgranida
em que um taura arrisca a vida
só pra honrar a patacoada!

Despois... de focinho gacho
garrou ladeira em descida
na fúria despavorida
de um touro num costa-abaixo!

Me encomendei pro Senhor!
Também pra Virgem Maria!
Nem sei como arresesti ansim
blandito de amor!
E sem amadrinhador
nesse lançante tremendo
me fui solito ... me vendo
mais triste que um payador! ...

Rodou ... E ficou roncando!
Quebrado! É o fim do Capincho!
E eu ... Paradito! ... E, com tino
a pensar desta maneira:
- Por Ti ... A mais linda Triguera!
Gineteio a vida intera
no lombo do meu Destino! ...

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Deixando o pago

DEIXANDO O PAGO
(João da Cunha Vargas)

Alcei a perna no pingo
E saí sem rumo certo
Olhei o pampa deserto
E o céu fincado no chão
Troquei as rédeas de mão
Mudei o pala de braço
E vi a lua no espaço
Clareando todo o rincão

E a trotezito no mais
Fui aumentando a distância
Deixar o rancho da infância
Coberto pela neblina
Nunca pensei que minha sina
Fosse andar longe do pago
E trago na boca o amargo
Dum doce beijo de china

Sempre gostei da morena
É a minha cor predileta
Da carreira em cancha reta
Dum truco numa carona
Dum churrasco de mamona
Na sombra do arvoredo
Onde se oculta o segredo
Num teclado de cordeona

Cruzo a última cancela
Do campo pro corredor
E sinto um perfume de flor
Que brotou na primavera.
À noite, linda que era,
Banhada pelo luar
Tive ganas de chorar
Ao ver meu rancho tapera

Como é linda a liberdade
Sobre o lombo do cavalo
E ouvir o canto do galo
Anunciando a madrugada
Dormir na beira da estrada
Num sono largo e sereno
E ver que o mundo é pequeno
E que a vida não vale nada

O pingo tranqueava largo
Na direção de um bolicho
Onde se ouvia o cochicho
De uma cordeona acordada
Era linda a madrugada
A estrela d'alva saía
No rastro das três marias
Na volta grande da estrada

Era um baile, um casamento
Quem sabe algum batizado
Eu não era convidado
Mas tava ali de cruzada
Bolicho em beira de estrada
Sempre tem um índio vago
Cachaça pra tomar um trago
Carpeta pra uma carteada

Falam muito no destino
Até nem sei se acredito
Eu fui criado solito
Mas sempre bem prevenido
Índio do queixo torcido
Que se amansou na experiência
Eu vou voltar pra querência
Lugar onde fui parido

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Amargo

AMARGO
(Jayme Caetano Braun)

Velha infusão gauchesca
De topete levantado
O porongo requeimado
Que te serve de vazilha
Tem o feitio da coxilha
Por onde o guasca domina,
E esse gosto de resina
Que não é amargo nem doce
É o beijo que desgarrou-se
Dos lábios de alguma china!

A velha bomba prateada
Que atrás do cerro desponta
Como uma lança de ponta
Encravada no repecho
Assim jogada ao desleixo
Até parece que espera
O retorno de algum cuera
Esparramado do bando
Que decerto anda peleando
Nalgum rincão de tapera!

Velho mate-chimarrão
As vezes quando te chupo
Eu sinto que me engarupo
Bem sobre a anca da história,
E repassando a memória
Vejo tropilhas de um pêlo
Selvagens em atropelo
Entreverados na orgia
Dos passes de bruxaria
Quando o feiticeiro inculto
Rezava o primeiro culto
Da pampeana liturgia!

Nessa lagoa parada
Cheia de paus e de espuma
Vão cruzando uma, por uma,
Antepassadas visões
Fandangos e marcações
Entreveros e bochinchos
Clarinadas e relinchos
Por descampados e grotas,
E quando tu te alvorotas
No teu ronco anunciador
Escuto ao longe o rumor
De uma cordeona floreando
E o vento norte assobiando
Nos flecos do tirador!

Sangue verde do meu pago
Quando o teu gosto me invade
Eu sinto necessidade
De ver céu e campo aberto
É algum mistério por certo
Que arrebentando maneias
Te faz corcovear nas veias
Como se o sangue encarnado
Verde tivesse voltado
Do curador das peleias!

Gaudéria essência charrua
Do Rio Grande primitivo
Chupo mais um, pra o estrivo
E campo a fora me largo,
Levando o teu gosto amargo
Gravado em todo o meu ser,
E um dia quando morrer,
Deus me conceda esta graça
De expirar entre a fumaça
Do meu chimarrão querido
Porque então irei ungido
Com água benta da raça!!!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Hermano

HERMANO   (Jayme Caetano Braun)


Seu nome - nunca se soube,
nem ele mesmo sabia.
Numa noite muito fria
deu ô de casa na estância.
Vinha de longa distância
dos fundos da noite grande,
mas nos galpões do Rio Grande
isso tem pouca importância.

Ninguém lhe perguntou nome
nem lugar de procedência
que vinha de outra querência
se via no sufragante,
um buenas noites vibrante
de campeira fidalguia
e a galponeira franquia:
- ... Apeie... e chegue pra diante!

O chapéu com barbicacho,
negra e comprida melena,
pele queimada, morena
sem luxos na vestimenta,
bombacha de brim - cinzenta,
adaga e faca à cintura
e um olhar misto ternura
com lampejos de tormenta.

Mi nombre es Hermano, hermanos
disse - enquanto chimarreava
à peonada que escutava
mui atenta - por sinal,
e no mesmo tom casual,
palmeando a cuia de mate,
afirmou como arremate:
- Soy de la banda Oriental!

Desde essa noite o Hermano
ficou na estância - ajudando,
que o índio que anda cruzando
não se ajusta como peão,
vai ficando no galpão
- a velha casa reiúna -
onde os párias sem fortuna
buscam calor de fogão.

Sempre alegre e prestativo,
naquele meio dialeto,
era um gaúcho completo,
de ação pronta e destorcida,
demonstrando em qualquer lida
que era desses campechanos
que já nasceram vaqueanos
dos mil atalhos da vida.

Depois que se enforquilhava
no seu basto castelhano
nem o bagual mais tirano
sacava o índio dali.
Aos gritos de ibi-bi-bi,
ia surrando cruzado
pulando mais que dourado
nas enchentes do Ibicuí!

Cantava uma flor de truco,
à velha moda gaúcha
e num jardeio - qüe pucha,
sempre saía primeiro,
corredor mui tarimbeiro,
desses com sete sentidos
que até parecem nascidos
nas cruzes do parelheiro.

Laçava... e como laçava,
de a pé como de a cavalo,
tanto fazia no pealo,
ser sobre-lombo ou cucharra;
companheiro numa farra
dos que não refugam nada
e que mão aveludada
pra pontear uma guitarra.

Quando cantava se via
naquele olhar machucado
o pensamento empacado
nalguma reminiscência,
talvez a velha querência
longe na barra pampeana...
talvez alguma paisana
desgarronada na ausência...

Numa milonga macia,
numa cifra - num estilo
nunca se viu como aquilo
tamanha fidelidade,
ora olfateando saudade
numa nostalgia langue;
ora farejando sangue
num berro de liberdade.

Quando os dedos se perdiam
entre a quarta e a bordona
pareciam vir à tona
barbarescas ressonâncias,
clarins furando distâncias
num último chamamento
e laços cortando ventos
no amanhecer das estâncias.

Depois amaciava o tranco
com patas aveludadas
e evocava madrugadas
com luas e meias-luas;
pôr-de-sóis nas pampas nuas
com romances proibidos
nos pelegos estendidos
para divãs das chiruas!

Sábado encilhava o baio
rumbeando aos ranchos da estrada,
beber ternura comprada,
onde os párias vão beber,
pois nesse meio viver,
o índio sem parador,
nunca encontra o bebedor
da sanga do bem querer.

Foi num Domingo de tarde,
ao retornar de uma andança,
a noite caía mansa
e o paisano vinha sério,
o pensamento gaudério
perdido longe... distante,
sem saber que, logo adiante,
ia enfrentar o mistério.

Quando embicava no passo
que faz fundo na invernada,
já na boca da picada,
o baio parou-se um gato,
bufou com espalhafato,
como prevendo tragédia,
o índio bancou na rédea,
já meio dentro do mato.

Ouviu um - morre bandido
dos covardes, de emboscada,
já na primeira trovoada
planchou-se o baio cabano.
Baleado embora, o Hermano,
ao se apartar do lombilho
vinha puxando gatilho
dum trinta e oito orelhano.

Seis tiros dados no rumo
e um alarido de morte.
Depois, a sangueira forte
e um frio que vinha do miolo
mas o índio era crioulo,
teve um sorriso esquisito:
- não ia morrer solito,
pra o taura, é sempre um consolo.

E ajoelhado, atrás do baio,
parceiro de mil jornadas,
já de pupilas vidradas
pela morte repentina,
passou-lhe a mão pela crina,
como quem nana criança
e um arrepio de vingança
escureceu-lhe a retina.

Com três ou quatro balaços
bordando a pele morena,
nem ouvia a cantinela
e o fogonear dos balaços,
meio de arrasto - c'os braços,
rumbeou para o tiroteio:
- galo fino - no careio,
coloreando de puaços...

Era um gaúcho Oriental
e um Oriental não recua,
honra a tradição charrua
e nem a morte o abala,
no próprio sangue resvala
mas segue no mesmo tranco,
agora, de ferro-branco,
porque jã não tem mais bala.

Sente que a vista falta
e uma bárbara dormência,
mas resta-lhe uma incumbência
nessa noite de Domingo,
se entrevera e - no respingo,
mete a adaga em carne humana,
gritando em voz insana:
- esta les doy por mi pingo!

Com vinte e tantos balaços,
escoriações e facadas,
as roupas esburacadas,
já cego - e peleando aos gritos,
como a confirmar os gritos
dalgum Confúncio campeiro:
- Covarde morre ligeiro,
o taura, morre aos pouquitos.

Três mortos - mais o Hermano
e o baio - morto encilhado,
não foi identificado
nem um só daquele trio,
o restante, se sumiu,
na imensidade campeira,
deixando apenas sangueira
e o choro do vento frio.

Nunca se soube o motivo
daquela barbaridade,
nem a própria autoridade
nem gente da vizinhança.
Foi com certeza, vingança,
feita por gente mandada.
Restam na velha picada
quatro cruzes por lembrança.

Seus nomes nunca se soube,
três cruzes sem inscrição
defronte - noutro munchão,
uma cruz tem nome: Hermano.
Descansa nela o paisano
que usava melena preta,
um poncho azul de baeta,
montava um baio cabano.
E lá está a cruz de pau ferro
palanqueando o castelhano,
último adeus do Hermano,
na tarde triste e cinzenta,
ao ver a cruz - representa
que a gente vê - na lonjura,
seu olhar, misto ternura,
com lampejos de tormenta.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Payada do Ano Novo

PAIADA DO ANO NOVO
(Jayme Caetano Braun)

Feliz Ano Novo - indiada,
Feliz Ano Novo - gente,
É a maneira reverente
De iniciar esta payada,
Nesta hora iluminada
De pátria e de melodia
E o payador se arrepia
De tradição campesina
Na primeira sabatina
Do ano que principia!

Cerimônia não preciso
Para cantar - quando falo,
Porque nasci de a cavalo
No lombo de um improviso,
Canto até o dia do juízo
No estilo missioneiro
E o meu verso galponeiro
Dispensa qualquer prefácio,
Tanto entra num palácio
Como num rancho posteiro!

O Ano Novo - parido,
Anda aí - fazendo as suas,
Pelos campos - pelas ruas,
Potrilho recém lambido,
Inda não tem apelido
Porque é meio bagualão,
Difícil de dar a mão
E bombeando desconfiado
Como china de soldade
Em tempo de "prontidão"!

Os homens do mundo inteiro
Fizeram ajuntamento
Pra assistir o nascimento
Desse piazito janeiro
E aqui no pago campeiro
Toda a indiada se reuniu
E reverente - assistiu,
Com ternura - com afinco,
Pra ver o "noventa e cinco"
Que a noite grande pariu!

Aqui no povo - as famílias,
Fazem o tal "reveillon",
Mas lá no campo - onde o som
É o do vento nas flexilhas,
Nós só fazemos vigílias
Quando se reúne a pionada,
Na volta da madrugada
Ouviu-se um berro de touro,
O ano macho - em vez de choro,
Já nasceu dando risada!

Sendo macho - é sempre assim,
Já nasce enrugando a testa,
Porque não vem pra festa
"De circo de borlantim";
- Esse vai ser de cupim,
Gritava um índio de lá,
Vai ser "buerana" esse piá,
Se não der urucubaca,
Umbigo cortado a faca
E enleado num xiripá!

Eu ia bobeando o céu
Na hora do nascimento
E ouvindo o choro do vento
Num barbaresco te-déum,
Depois - tapeei o chapéu,
Meio pra espantar o sono,
Memoriando - com entono,
Do índio da timbaúva
Que Ano Novo é como chuva,
Não tem patrão e nem dono!

Entre um trago e um amargo,
Recostado num esteio,
Bombeava o piazito feio,
Mas taluda - sem embargo,
Sentindo no campo largo
Cheiro de pasto e incenso
Naquele desejo imenso
De que este ano que nasce
Faça que o homem se abrace
No amor da paz e o bom-senso!

Isso é um sonho, talvez seja,
Do payador que improvisa,
Mas um sonho se realiza
Se - com fé - a gente o deseja,
Mas - pra mim - que tenho a igreja
No altar da geografia,
Guardo essa filosofia
De cruzador sem parança,
Se não houvesse esperança
Tudo que é pobre morria!

Mas vou dar uma cruzada
Lá pras bandas de São Luiz,
Onde deixei a raiz
Pra todo o sempre encravada,
Terra santa - colorada,
De sangue guasca tingida,
Terra mil vezes querida
Morada de São Sepé,
Ali onde a indiada de fé
Nasce com a alma encardida!

Cruzando o Piratiny
Vou ver as pedras no fundo,
Santo pedaço de mundo
Que deixei - mas não perdi,
Voltar de novo a guri,
À infância e adolescência,
Rever de novo a querência,
Num verdejo espiritual,
Meu velho pago natal
Onde mamei inocência!

Depois - seguir olfateando
Os recuerdos de criança,
Procurando a sombra mansa
Onde me criei tropeando
E - logo adiante - cruzando
No Passo da Laranjeira,
Lá onde uma bugra parteira,
Segundo o ritual antigo,
Fez enterrar meu umbigo
Na raiz duma figueira!

Depois - matar a saudade,
Se é que a saudade se mata,
Bombeando a lua de prata
Tropeando na imensidade,
A infância e a mocidade
E as ânsias deste índio cuera
E as flores da primavera
Que - sem querer - esmaguei
E os sonhos que não domei
Lá no "rincão da tapera"!

Mas paro - porque a emoção
Já me fez perder a calma,
Tenho urumbevas na alma
E um cerro no coração,
Há um chamado de amplidão
Que para longe me toca
Atração que convoca
De acordo com as velhas leis
Vou dançar ternos de reis
Nos ranchos da bossoroca!

sábado, 18 de setembro de 2010

Veterano

A música Veterano, interpretada por Leopoldo Rassier e os Serranos no Galpão Crioulo, em 1982! Essa foi uma das músicas que acompanhou minha infância, adolescência e até hoje me emociona! Baita letra!

http://www.youtube.com/watch?v=6C4pW03l4e0&feature=related

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Acampamento Farrapo (Jayme Caetano Braun)

Bandeira de 35, Divino pendão de guerra
Que guarda gritos de terra entre as dobras andarilhas
Pano de altar das coxilhas, desfraldado por condores
prece rezada em 3 cores em sobrehumanos rituais.
O verde, os campos gerais do Rio Grande despenteado,
o matambre amarelado numa alvorada de outubro
e o campo… vermelho rubro, num sol de tarde sangrado.
Troféu mil vezes sagrado, pátria encarnada em um pano,
pedaço de chão pampeano que a história guasca eterniza.
Foste a primeira divisa do Brasil republicano.
Bandeira tu ressuscitas, na glória de cada fiapo
O Acampamento Farrapo embaçado de fumaça.
É o formigueiro da Raça que está reunido em concílio
É o bugre que – de lombilho,vem levantando aos bocejos
São os mestiços andejos, mal encarados e sérios
São castelhanos gaudérios vaqueano de montoneras
Que bandearam as fronteiras por força de algum instinto
É o negro chucro, retinto, dos grilhões recém liberto
É o piá voluntário esperto, guri ainda – rosto liso
É o chiru velho preciso que pensa mais do que fala
É o estancieiro de pala que chimarreia sisudo
É o mulato façanhudo de adaga grande à cintura
É a impressionante figura do charrua de melenas
É o soldado de chilenas e uniforme desbotado
É o lenço bem colorado num pescoço de Oriental
É a Tricolor Oficial num tope republicano
É o carreteiro vaqueano que segue o rastro das tropas.
São abas largas e copas, vinchas, quepes e chapéus
Laços apêros, sovéus, num mar de pilchas gaúchas
Boleadeiras e garruchas, ponchos, palas multicores
Chiripás e tiradores, chocolateiras, cambonas
São guitarras e cordeonas chamuscads nos fandangos
Espadas, adagas, mangos e as lanças que os peleadores
manejavam com primores nas arrancadas sem conta
todas trazendo na ponta as flameantes Tricolores!
Que culto estranho – que pampeano rito
Vivem tais vultos que divergem tanto
É a liberdade que funfiu num grito
Todas as vozes do Rio Grande santo!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Guri - Cesar Passarinho

Pra mim, essa é uma das mais bonitas canções (e interpretações) de todos os tempos!

http://www.youtube.com/watch?v=OsokOgHxT0Y&feature=related

Vencedora da Califórnia da Canção Nativa de 1983, em Uruguaiana, RS, a canção 'Guri' é de autoria de João Machado da Silva e Júlio Machado da Silva Filho e aqui interpretada por Cesar Passarinho com o Grupo Inhanduí (Neto Fagundes e Renato Borgheti). Ganhou o prêmio Calhandra de Ouro. Calhandra é um pássaro de canto doce e que só canta quando está livre.