sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Paris - Dia 20

O café da manhã no Fertel Etoile não é igual o do Sokos Helsinki ou do Safir Cairo, mas ganha dos de São Petersburgo, de Moscou e de Istambul em minha opinião. Não tem uma coisarada pra escolher. Simples, mas gostoso. Croissants, baguetes, três tipos de queijos, iogurte e purê de maçã, manteiga, dois ou três sucos, geléias de morango e pêssego, chás, café e leite. Mas o suficiente para saciar a fome resultante da noite de sono e preparar para o início da jornada diária pela ‘Cidade Luz’. Reparei que há vários brasileiros no mesmo hotel que nós, hoje no café da manhã.
Decidimos que a jornada de hoje seria o Museu do Exército (Musée de l’Armée) que fica no mesmo prédio que era o Hotel des Invalides e depois iríamos até a Catedral de Notre Dame.
Saímos do hotel para procurar uma lavanderia e depois de procurar aqui na redondeza, voltamos para o hotel para buscar um cachecol ou pashmina já que eu havia esquecido este importante acessório para o frio de 5 graus que fazia hoje de manhã, e a moça do hotel nos explicou onde há uma lavanderia, aqui, bem pertinho. Beleza! Mais uma oportunidade de andarmos com roupas limpas.
Subimos uma das ruas que dá no Arco do Triunfo (Av Carnot) e decidimos primeiro dar uma passada embaixo deste monumento. Existe uma passagem subterrânea com uma entrada na Avenue de la Grande Armée e com uma saída no Arco do Triunfo e a sua seqüência na Avenue des Champs Elysees. O Arco, visto de baixo, é bem grande. Tem inúmeros nomes gravados em suas paredes pelo lado de dentro, todos de batalhas vencidas pelos exércitos franceses. Mas muitos mesmo! Interessante que daquilo tudo, sobrou muito, mas muito pouco. Ali, também há a homenagem para o ‘Soldado Desconhecido’. Como o tempo estava um pouco nublado, decidimos não subir no Arco do Triunfo hoje.
Algumas das batalhas esculpidas no Arco do Triunfo
Uma das quatro esculturas do Arco do Triunfo
 Descemos caminhando então pela Avenue des Champs Elysees para nossa ida até o Hotel dos Inválidos/Museu d’Armée. Pegamos a Avenida Franklin Roosevelt e aqui nesta esquina vimos uma casa de leilões, de Maurice Dassault (acho que ele é ou era o dono da empresa de aviação francesa, fabricante dos aviões ‘Mirage’) e tinha um caça Mirage para leilão com o lance inicial em 35 mil euros. Para pessoas excêntricas e com grana seria um bom enfeite no jardim.
Mirage para leilão
Seguindo pela Avenida Roosevelt cruzamos o Rio Sena pela Ponte dos Inválidos e seguimos pela Boulevard de la Tour Maubourg até nosso primeiro destino do dia. Compramos nossos tickets de entrada para o Museu de l’Armée. O ticket custa 9 euros cada e se quiséssemos, estava acontecendo também uma exposição sobre os czares e suas história, mas se eu quiser ver a história dos czares e seus pertences, vejo em São Petersburgo e não em Paris! Aqui eu queria mesmo era ver as histórias da França.
Começamos pela parte das armas e uniformes da antiguidade. Eles possuem uma coleção inacreditável. São centenas de armaduras de homens, cavalos e até de crianças. Espadas, sabres, adagas, facas, arcos, balestras, escudos e toda a indumentária das épocas antigas. Artigos da Europa Central, Pérsia, Império Otomano e do Extremo Oriente. Peças do período Neolítico como machados de pedra e pontas de flechas e lanças de pedras e ossos. Peças da Idade do Bronze e tantas mais. Eles tem espadas vikings, katanas japonesas e armaduras de samurais.
O museu segue uma boa seqüência, muito bem organizado. Para dar um relax, depois desta primeira parte comemos um baguete cada um na lancheria do museu e fomos para a parte que mais me trazia curiosidade. A das I e II Guerras Mundias. Inicia-se a jornada pela parte da I Guerra que é muito bem contada. Existem espaços, com bancos onde ficam passando vídeos que contam os porquês do início da Guerra e também o porquê do envolvimento de cada país que nela entrou.
São dezenas de uniformes de diferentes países envolvidos assim como os armamentos a cada um relacionados. Em uma certa parte, existe uma maquete sobre uma das importantes batalhas e nessa maquete, que tem sobre ela um projetor centralizado e sob ela projeta as manobras estratégicas ao mesmo tempo que acontece uma narração do desenvolver desta importante batalha que auxiliou na decisão desta guerra.
Chegamos então na parte do museu que é dedicado a II Guerra Mundial. À exemplo da parte anterior, explica todo o desenrolar e porquês da WW II. Armas, uniformes, bandeiras, cartas, livros e tanto mais. Algumas coisas em especial me chamaram à atenção e entre elas as 1˚ e 2˚ edições do livro Mein Kampf, de Adolf Hitler, algumas bandeiras nazistas (que considero um troféu de combate), facas nazistas da Juventude Hitlerista, facas de combate da SS, metralhadoras MP40 alemãs, fuzis Mauser, uniformes das tropas nazistas, pistolas Luger, uniformes aliados e sua indumentária completa como por exemplo os dos paraquedistas e soldados que participaram da Operação Overlord realizada em 6 de junho de 1944, o ‘Dia D’. Facas do SAS (Special Air Service), o comando especial inglês. Me impressionou o exemplar do objeto que conheço por ‘ouriço’, que é uma estrutura de metal que era utilizada para bloquear o avanço de tropas e veículos e podemos lembrar desse objeto no filme Saving Private Ryan na cena do desembarque na praia. Para fechar a visita, quando descíamos as escadas nos deparamos com um exemplar de uma ‘Vergeltungswaffe’ ou V2, as famosas ‘Bombas Voadoras’(o primeiro projeto dessas bombas foi desenvolvido peloo pai da D. Lore, e este projeto também serviu para o desenvolvimento de foguetes que iriam mais tarde à lua). Um foguete de 14 metros e 3 toneladas e com 5.000 km de alcance.
Em frente ao Hotel des Invalides
Fivela de cinto
Nossos ingressos ainda davam direito a visitar a tumba de Napoleão I, as exposições de Louis XIV a Napoleão III e ao Museu de l’Ordre de la Libération, mas já estava mais que bom e estávamos cansados e decidimos então ir para Notre Dame.
Apesar de ali não ser muito longe de Notre Dame, decidimos ir de metrô e experimentar o famoso sistema parisiense de trens subterrâneos.
Entramos em uma estação ao lado do Hotel dos Inválidos, chamada ‘la Tour Maubourg’ e vimos que não era tão simples assim a movimentação pelo metrô parisiense. Queríamos comprar um passe que dá direito a movimentação por vários dias e várias vezes em cada dia no sistema subterrâneo e de ônibus de Paris. São vários preços diferentes para cada tipo de passe que se quer adquirir e por zonas de movimentação. Só que não existe uma explicação de quais são e o que abrange cada uma das 6 zonas de Paris. Vimos o que daria direito a 5 dias pelas 6 zonas e o custo de cada passe seria de 48 euros. Não vamos usar tudo isso de metrôs e decidimos então comprar os passes individuais. Cada passe de metrô custa 1,7 euros e então compramos 10 passes que ao todo custaram 12 euros por causa do desconto especial, direto na máquina. Tentei perguntar para um funcionário que estava na cabine de venda de bilhetes as informações sobre as zonas de transporte e suas abrangências, mas o cidadão, é claro não falava inglês ou não estava a fim de falar e dar informações à turistas.
Ao passarmos a catraca e entrarmos na estação novo dilema. Difíceis informações e sinalização nesta estação. Precisávamos ir para a estação ‘Invalides’ para tomar a linha ‘C’ para então descermos na estacão ‘St-Michel Notre Dame’. Descemos então na ‘Invalides’ e nova falta de, e confusas informações sobre que caminho seguir para tomarmos o trem da linha ‘C’. Quando finalmente chegamos na plataforma, esperamos mais de 15 minutos até chegar o trem que nos levaria para a estação ‘Notre Dame’. O curioso é que os trens do metrô de Paris não abrem a porta automaticamente e é necessário, dependendo do tipo do trem, apertar um botão para abrir a porta do vagão ou baixar uma maçaneta, tanto externa quanto internamente para que a porta se abra e o passageiro possa descer ou subir do vagão.
Subimos a escada e estávamos em frente à Catedral de Notre Dame. Nós e mais uns 68.371 turistas, pelo que consegui contar. A construção é muito bonita e divinamente esculpida. Anjos, santos e gárgulas ornam a igreja por seu lado externo. A entrada na Catedral é gratuita e existe uma placa orientando sobre a proibição de usar flash em fotos no interior da igreja. Pensam que a turistada respeita? Parecia uma casa noturna em dia de festa ‘rave’ de tanta luz piscando, oriunda dos flashs das máquinas daquela multidão que lá estava. Umas hora, preferia até que fosse proibido fotografar no interior da igreja para que as pessoas começassem a ter respeito e cumprir as regras. Tiramos poucas fotos no interior, todas sem usar o flash.
Existem diversos vitrais na catedral, muito bonitos! A altura da nave é impressionante e sua arquitetura intriga e me pergunto como eles conseguiram firmar aquelas abóbadas no teto e fazer as curvas internas. A cruz atrás do altar principal não contém a imagem de Jesus que na verdade está nos braços da Virgem Maria, desfalecido, no pé desta cruz. Achei isso muito emocionante!
Cruz no altar principal de Notre Dame
Vitrais em Notre Dame
Em frente a Catedral de Notre Dame
Saímos da igreja e fomos descobrir como se faz para subir nas torres desta catedral. A fila dobrava a esquina e aí não nos empolgamos de esperar. Foi o mesmo caso do Empire State Building de New York. Decidimos então procurar um banheiro. Taí uma coisa em Paris que parece polícia. Quando não precisamos, avistamos a toda hora, mas na hora que precisa não tem nem pra remédio!
Voltamos caminhando pela beira do Sena até a Ponte Neuf e então conseguimos localizar um banheiro público na entrada de uma estação de metrô. Muito limpo e organizado.
Seguindo o caminho de volta, passamos por dentro do pátio do Museu do Louvre, Jardim des Tuileries, Place de la Concorde e paramos em um café no início da Champs Elysees para tomarmos um café.
Dali, seguimos pela Champs Elysees até o mercado Monoprix para comprarmos água e nossa janta e voltamos para o hotel.
O cansaço hoje foi bem grande devido ao tanto que caminhamos e também por todo o cansaço que vêm se acumulando desta longa jornada que estamos fazendo durante este mês de outubro.
Nosso plano de amanhã ainda não está definido, mas ao primeiro ver será o Museu da Moda e depois o Mercado das Pulgas.
Fer descansando na Ponte Neuf
Fer no Jardin des Tuileries com o Louvre ao fundo
Minotauro aqui nego trata na paulada!
Nós na Place de a Concorde

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Cairo e Paris - dia 19

Às três da matina saltamos da cama para rumar para o aeroporto do Cairo. O táxi, um Corsa Sedan, que os egípcios denominam ‘limousine’, chegou no hotel logo depois das 3:30, colocamos nossas duas malas grandes no bagageiro superior (aqueles de ferro, das antigas, que inclusive o meu pai tinha um no Corcel I dele), uma mala preta grande de tecido (aquela da Wilson) e mais a mochila laranja North Face e a mala de mão que foi comprada junto com as duas outras grandes. Como porta malas deste táxi tinha um cilindro de GLP dá pra calcular como estava ‘atrolhado’ o auto!
Rumamos para o aeroporto, com o taxista que não falava um ‘hello’ em inglês (contratado pelo Safir Hotel) e como se não faltasse nada acontecer, para fechar com chave de ouro a estada no Cairo o motora puxou um ‘Derby’ e tacou fogo! Não acreditei! Só nos olhamos, já que nada adiantaria falar! Ainda, ele errou o portão do aeroporto, teve que rodar para encontrar, mas beleza. Estávamos saindo do Egito, que é válida a visita por suas belezas históricas e naturais e também para conhecer outras culturas, mas que foi decepcionante e revoltante por seu povo, na forma que vimos e vivenciamos. Ah, isso foi!
Ao desembarcarmos no Terminal Internacional do Aeroporto do Cairo, pensei: ‘falta pouco!’. Não deu outra. Já colou um cara pegando nossas malas e colocando em um carrinho e já falei: ‘No tips! No money!’, mas o praga ficou colado, não deixando eu empurrar ou carregar minhas coisas! Caramba! Não eram nem 4 da matina e um cara já torrando nossa paciência! Dei uma nota de um dólar pra ele quando chegamos no primeiro raio-X e comecei a passar nossa bagagem.
O guarda que estava conferindo a tela do aparelho de raio-X me chama e pergunta, apontando para uma garrafa que havia dentro de uma das malas: ‘What is it?’ e respondi que era uma garrafa de vodka, que havia comprado no Free Shop de Moscou. Separou a mala. Apontou para algumas coisas que estavam em nossa mala de mão e perguntou a mesma coisa e falei que eram luminárias. Ele mandou abrir as duas!
Pegou a vodka, uma Beluga, que está embalada e lacrada desde Moscou e começou a encher o saco! PQP! Tá na mala que vai ser despachada! Devidamente embalada e de acordo com as regras internacionais de transporte! Chamou o oficial superior dele que de longe perguntou se era spray e eu disse que não e ele já liberou! O ‘reco’ idiota queria era me pressionar para tentar tirar um dinheiro ou mesmo a Beluga! E então foi a revista da mala de mão. Começou abrir e desembalar algumas cerâmicas e a luminária que compramos em Istambul para colocarmos em nossa casa! Mostramos que não era nada ilegal. Que não era uma bomba ou explosivo. Até porque, não sou idiota de me explodir para ter 21 virgens à disposição no céu! Minha Fer vale por muito mais que isso!
Finalmente fomos para o check in e depois de termos que realocar algumas coisas para não pagarmos excesso de bagagem fomos para o controle de passaportes. Mesma arrogância dos guardas. Conversam coisas em árabe e dão risadinhas! Pois bem, carimbo de saída no passaporte! Agora já era. Embarcar e ir embora pra França. Não!
Novo portão de embarque, nova revista, mesmos questionamentos e mandando abrir malas. Ali não aguentei e enquanto três guardas homens e uma guarda mulher com uma espécie de um turbante ridículo na cabeça para não mostrar seus ‘lindos e preciosos’ cabelos faziam comentários em árabe e davam risadinhas sarcásticas (para compreender esse tipo de falsete não é necessário ser poliglota) eu comecei a falar em português com a Fer. Nisso, o mais arrogante e que mais fazia piadinhas entre eles, me olhou e me perguntou o que eu estava falando. Pensei: ‘é bom né seu babaca?’ mas respondi: ‘I am just talking to my wife!’ e ele entendeu que eu tentava dar um troco na mesma moeda dele e ficou calado.
Após passarmos pra espera do portão de embarque ainda vi várias cenas da arrogância destes guardas nesta 593˚ revista de raio-X. Até com uma mulher loira, com duas crianças - uma de uns 4 anos e outra com não mais de 10 meses que inclusive estava naqueles tipo de transportadores que se usam onde os bebês ficam de frente para a pessoa, grudados ao corpo - eles tiraram onda. Quem é a mãe que vai se explodir com seus filhos? Com um bebê? Uma pessoa normal não faria isso! Só mesmo alguém com titica de galinha servido de sinapses para as células nervosas para pensar e agir assim.
Ainda, antes de entrar no avião, nova vistoria em passaportes e finalmente estávamos embarcados  no vôo AF503 que decolaria rumo à Paris com nossa bagagem de mão (uma mala de mão e a bolsa da Fer e minha mochila laranja - bem vazia por sinal) no compartimento de bagagem quando entram dois caras e um deles (com um bafo de cana do ‘garaio’) tira minha mochila, o casaco e a bolsa da Fer do compartimento, coloca tudo no chão e coloca a mala dele no lugar e em seguida começa a enfiar nossas coisas por cima. Aí não deu! Levantei e me meti na frente dele, meio que jogando meu corpo pra cima daquele meio metro de gente, e falei pra ele: ‘Let my stuff there!’ e já olhei para o lado e vi a comisária de bordo e pedi ajuda! ‘Please, I need your help to put my things in other place because those guys took my things out of there!’. No final das contas, minha mochila ficou socada por cima das coisas desse imbecil (que depois reparei que era inglês) e a bolsa e casaco da Fer colocamos em um outro compartimento com mais espaço em cima do assento que ficava atrás do nosso.
Às 11:13hs da manhã aterrisamos no Charles de Gaulle em Paris. Passamos o controle de passaportes, onde o guarda simplesmente olhou nosso passaporte, nossas fotos e nosso rosto, nem carimbou, nem nada e simplesmente nos entregou e estávamos oficialmente em solo francês.
Após pegar as bagagens e sacar uns euros fomos para o portão número 2 para tomar o ônibus da Air France que nos levaria até o Arco do Triunfo. Aqui está uma dica interessante pois este ônibus custa 15 euros por pessoa e leva do aeroporto até a Praça do Congresso Francês e faz sua segunda e última parada ao lado do Arco do Triunfo. Levou exatamente 1 hora do aeroporto até o ‘Arc de Triomphe Etoile’ e então, as 13 horas do dia 21 de outubro estávamos com aquela malaida cruzando as ruas de uma cidade onde existe sinais para pedestres e automóveis e os mesmos são respeitados e se escutam buzinas, mas nada anormal, sem sentido e sem educação generalizada!
Essa é minha segunda vez em Paris. Na primeira, à trabalho e somente de passagem, cheguei de Barcelona (onde tinha ficado uma semana entre lá e Valência) por volta das 10 da noite e fiquei em um hotel ao lado do Charles de Gaulle (acho que foi no Íbis) e no dia seguinte muito cedo fomos de carro para uma cidade no interior da Bélgica, chamada Rotselaar e ao chegarmos de volta, no mesmo dia ali pelas 9 da noite fomos para Paris. Eu, meu chefe e um outro colega e ficamos em Paris das 9 da noite daquela sexta até umas 2 da manhã e voltamos pro Íbis do Aeroporto pois nosso vôo para o Brasil sairia às 7 do sábado. Então, bem dizer, esta é minha primeira vez em Paris. Agora poderei ver a Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Notre Dame, Louvre e tanto mais com calma e com a luz do dia! Durante os próximos 7 dias!
Seguimos então pela Avenue de la Grand Armée, pois já tínhamos dado uma analisada no local onde o Fertel Etoile Hotel ficava e quando nos deparamos com a estação de metrô ‘Argentine’ vi que havíamos chegado.
Pegamos a chave do hotel, quarto 503 e subimos faceiros, abri a porta do quarto e haviam duas malas vermelhas, uma em cima da cama e outra em cima de uma cadeira! Dei meio que pulo pra trás e falei pra Fer: ‘Pois e agora?’…
Ela desceu e voltou com a chave do 603! A menina que trabalha na recepção tinha se enganado. Minhas alma! Mas tá loco home!
Depois de um rápido relax fomos fazer um reconhecimento da área, mas não sem antes parar em café na esquina e almoçarmos. Fomos rapidamente no Arco do Triunfo, Torre Eiffel e Campos de Marte, Rio Sena, Champs Elysée’s. Passamos em um mercado para comprar uns iogurtes, água e nossa janta e voltamos para o quarto do hotel que não tem internet grátis e não conseguimos nenhuma conecção pirata e então tivemos que abrir a mão para podermos ficar em contato com todos! Diz a lenda, que certa feita, me atirei na represa Bortolan em Poços com um ‘sonrisal’ na mão, para praticar o famoso ‘nado de açude’ e quando saí do outro lado o ‘sonrisal’ tava inteiro!
Quando estava descendo pra ver como funcionava a internet e cheguei na recepção, a ‘Precious’, moça que lá trabalha disse que havia passado uma ligação para nosso quarto. Era a Caro, para saber se havíamos chegado bem! Valeu pela preocupação Caro! Ainda consegui dar notícias também pro meu povo lá em Lages que havíamos chegado bem e já estávamos em Paris.
Au revoir pra todos!
Nosso primeiro almoço em Paris
O Arco do Triumfo
Fer na Champs Elisees
Torre Eiffel - foto tirada por um 'hermano' argentino
Nas margens do Rio Sena

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Cairo - dia 18

Ao acordar perguntei para a Fernanda se ela concordaria, de irmos à Saqqara e Dashur, antes de irmos ao zoológico do Cairo, neste nosso último dia no Egito. Ela concordou e após o café da manhã ao sairmos do hotel encontramos o taxista que havia nos levado ontem nas Pirâmides de Gizé. O Timo!
Após negociar o preço do passeio entramos em seu carro, um Volvo de cor verde, bem antigo e rumamos por 40 quilômetros rumo a Dashur, que assim como Gizé é uma necrópole real muito antiga. Em Dashur estão as duas pirâmides mais antigas de todo o Egito, a Red Piramyd e a Bent Piramyd contruídas no reinado do Faraó Snofru. Este sítio, assim como Gizé faz parte da lista de Patrimônios HIstóricos da UNESCO.
O caminho pra lá foi interessante no ponto de vista de analisar o Egito com olhos de turistas ‘não-normais’, daqueles que se aventuram fora das excursões e conseguem ter uma visão diferenciada em relação aos demais. Todo o tempo, estávamos flanqueados por um rio, de água suja e com bastante lixo em seu interior, onde pude ver vários barcos com pessoas pescando de rede e de caniço. Também, mesmo naquela água suja, por vezes era possível ver peixes e algumas tartarugas dentro da água.
Existem dezenas de postos de controle, com guardas bem armados ao longo desta periferia da Cidade do Cairo. Passamos por todos eles sem sermos parados ou interrogados.
Ao chegarmos na entrada do site de Dashur, constatamos a cancela e a guarda egípcia e pagamos a entrada. O valor de cada ticket é de 30 libras egípcias. Entre a cancela de entrada e as pirâmides de Snofru, existem ao lado da estrada de cerca de 7 quilômetros de extensão, uma unidade de extração de petróleo, uma cadeia militar e uma base da Força Aérea Egípcia. Talvez isso explique um dos motivos, além da distância do Cairo, pela qual este site não é tão visitado por turistas e por conseqüência não tão famoso quando comparado com Gizé e Saqqara.
Chegamos na base da Red Piramyd. Com os tickets que tínhamos comprado, poderíamos subir por uma escada contruída de concreto, até a parte mediana da pirâmide e entrar nela. Subimos e checamos a entrada aonde um senhor de uma certa idade cuidava e checava os ingressos. Me olhou e disse que para fotografar lá dentro teria que pagar 10 libras egípcias. Não sei porquê, dei essas quantia pra ele e comecei a descer o túnel inclinado de cerca de 40 metros de comprimento por 1 metro de largura e 1 metro de altura que leva até a base e suas câmaras internas, e então desisti de descer até lá embaixo. O lugar é estreito e deserto. Não havia ninguém mais lá, senão eu a Fer e o velhinho que estava sentado na entrada da porta e bem que poderia ter saído lá de dentro no início do dia e ter subido pra ficar na entrada. A Fer não ficou braba e nem se importou com minha decisão e então voltamos pro táxi e seguimos para a segunda pirâmide, a Bent Piramyd. Segundo o que fiquei sabendo, esta é a única entre as mais de 90 pirâmides existentes no Egito que tem a sua forma e diz-se que ela tem tal forma devido a um erro de engenharia. Lembrando que essas pirâmides são mais antigas que as grandes de Gizé.
Ali, na Bent Piramyd, devido ao sol que castigava, a Fer ficou em uma área coberta onde havia alguns outros turistas e eu fui chegar mais perto da Bent Piramyd. Dei a volta por trás dela e subi em uma pirâmide menor, por uma trilha propriamente dita, já feita por historiadores, egiptólogos, soldados, turistas e tantos outros que ali já estiveram nesses tantos anos de existência desses túmulos reais.
Haviam 5 soldados que me ofereceram a subida nesta pirâmide menor e eu disse que não. “I have no money to climb it!’, disse. Depois de repetir a mesma coisa umas três ou quatro vezes, um deles disse: ‘No problem’ e fez sinal com a mão que poderia ir. Subi rapidamente e enquanto subia cruzei por dois espanhóis que desciam: ‘Hola, que tal!’ e a resposta foi a a mesma: ‘Hola!’. Desci tão rápido quanto subi e os soldados já estavam levando os espanhóis passearem de camelo e então chamei um dos guardas para tentar meu prêmio tão desejado: a foto com uma AK-47 legítimo!
Os guardas!
Ofereci 10 libras egípcias para ele para tirar uma foto com o fuzil e ele titubeou. Ele fez aquele sinal universal de bico calado e eu disse, tentando ser o mais roots possível (como se precisasse fazer força pra ser roots): ‘I am brazilian! I’ll be quiet! No photo on internet!’ Ele chegou a soltar a bandoleira do ombro pra me entregar o fuzil pra foto e um outro guarda que se aproximava disse algo em árabe e esse guardinha disse: ‘Sorry! I can’t! Problems…’. Agradeci e não insisti mais. Mas que deu vontade de dobrar a oferta deu! Imaginem só: Passeio de táxi, com um taxista chato, até Dashur e Saqqara: 125 libras egípcias; tickets para o site de Dashur: 30 libras egípcias cada; foto com uma Avtomatica Kalashnikov 47, no deserto escaldante: não tem preço! Mas fiquei sem! Paciência.
Voltei para o táxi e seguimos para Saqqara!
Bent Piramyd (Snofru)
Snofru's Bent Piramyd e Snofru's Red Piramyd ao fundo
Fer e a Red Piramyd em Dashur
Snofru's Red Piramyd e o nosso transporte nesses dois dias
 Uns 5 quilômetros como quem retorna ao Cairo, vislumbrando as tamareiras que existem ali aos milhares (apesar de não ter comido nenhuma tâmara neste dias que aqui estamos), as plantações em meio a estas palmeiras, do jeito que eu imaginava dos livros de história, camponeses-agricultores em sua atividade, criações de cabras, carros antigos (inclusive pude constatar a realidade da história de que 80% dos Land Rovers construídos ainda estão em utilização) e estranhos para nós, escolas de manufatura de carpetes e outras tantas coisas corriqueiras para o povo e que para nós é tão diferente, assim como é diferente para os gringos uma criação de gado e uma plantação de cana ou café no Brasil.
Chegamos em Saqqara e ali existe outra cancela com guardas e após o taxista passar e dar uma gorjeta para um guarda fomos ao local de compra de tickets. Aqui, os tickets custam 60 libras egípcias cada e dão direito a visitar algumas tumbas, entrar em uma pequena pirâmide, provavelmente de uma rainha (devido ao seu tamanho) e chegar nos demais monumentos tombados pelo Patrimônio Histórico da UNESCO que se encontram aqui neste local.
Saqqara, servia como necrópole para a antiga Capital do Egito, chamada Memphis. Ali existem muitas pirâmides, pequenas e médias (mas nenhuma maior que Queóps ou Quéfren) e um complexo funerário. Em Saqqara que está a famosa ‘Step Piramyd’ que me lembra, apesar de ainda não ter estado lá, aquelas pirâmides que existem no México.
Compramos os ingressos que além da visitação ao sítio arqueológico também dão direito à entrada do museu do local (Imhotep Museum). Este, com duas câmaras principais e 3 secundárias, bem cuidado e com iluminação adequada, peças protegidas por vidros com alarmes e em seu interior temperatura e umidade controlada. Peças encontradas na necrópole com o mesmo nome estão ali e inclusive uma múmia ainda com as bandagens e outras, sem as bandagens em um ótimo estado de conservação. Foi olhando as pecas e as descrições que descobri que ali existe uma parceria forte ou esse museu é mantido pelo Museu do Louvre. Pena que o Museu Egípcio do Cairo, não é mantido por uma entidade estrangeira e com dinheiro e parece mais um grande almoxarifado aonde as peças estão se deteriorando pelo calor e falta de educação dos visitantes.
Subimos de carro até o site principal e fomos primeiro no lado direito de quem sobe, para a tumba de um Faraó (como não sou egiptólogo fica difícil guardar todos os nomes e informações). Em frente a esta tumba existe uma pirâmide, quase escondida pela areia onde é possível visitar seu interior. Essa, bem menor que a Red Piramyd (em Dashur) tem um túnel de descida (a entrada da pirâmide) de uns 10 metros de comprimento (inclinado) por 1 de altura e 1 de largura. A Fer não quis entrar e lá fui eu. Antes de iniciar minha descida, um egípcio que ali trabalha disse que não eram permitidas fotos lá dentro e me perguntou se eu tinha uma caneta e apesar de eu ter sempre uma caneta na mochila, disse que não tinha. Não entendi o porque do pedido dele naquele momento, mas em breve eu iria descobrir. Desci a rampa no estreito corredor na frente de um grupo de japoneses. Quando se chega ao final da rampa, o túnel continua com as mesmas dimensões de largura por mais uns 5 metros e aí se abre uma câmara de 2 metros de largura, por 2 de comprimento e uns 3 de altura e logo em seguida existe outra pequena passagem, das mesmas dimensões do túnel de entrada, mas com 1,5 metros de comprimento que ligam a outra câmara com as mesmas dimensões da anterior. Nisso, o grupo de japoneses havia ficado para trás, se enrolando e falando com o guia deles e um egípcio que ali fica, com uma lanterna na mão apesar da iluminação artificial provida por lâmpadas ali dentro ser bastante eficaz me chamou para passar para a câmara do sarcófago que fica à direita desta segunda ante-câmara, separada por uma passagem semelhante àquelas que dividem as ante-câmaras anteriores. Há ali, no fundo da câmara do sarcófago, um tipo de túmulo, de pedra, onde dentro ficava o sarcófago e a múmia. Esta sala, que tem uns 3 metros de largura por uns 5 de comprimento e um teto em forma de ponta de flecha com uns 5 metros em sua parte mais alta. O teto, todo esculpido com desenhos de estrelas do mar e pude ver dentro do ‘túmulo’ de pedra escura as inscrições ali esculpidas. Esse cara que ali estava comigo, disse para eu tirar fotos e eu disse que haviam me dito que não era permitido. E ele insistiu e insistiu mas eu havia deixado a câmera com a Fer no lado de fora da pirâmide. Estava somente com a filmadora em mãos. Fiz um filme de uns 10 segundos e desliguei e guardei a câmera e ele continuava insistindo e disse que não! Aquilo estava bom. Peguei 3 libras egípcias que tinha em meu bolso e entreguei na mão dele para que ele não ficasse me enchendo o saco e fui saindo pela estreita entrada em direção à segunda ante-câmara e em seguida já me abaixei e passei para uma outra sala, do tamanho das ante-câmaras que devia ser a sala do tesouro e rapidamente voltei para me preparar para subir a rampa pelo estreito corredor que leva à luz! Os grupo de japoneses estava agora na sala do sarcófago e na sala do tesouro e eu e o egípcio ali naquela ante-câmara e ele me mostrava as moedas que eu havia dado pra ele e dizia: ‘Too small! Too small!’ Já manjei o que ele queria dizer com isso. Era pouco, queria grana! Incrível isso aqui no Egito. Guardas, guias, taxistas, crianças, todo mundo pede dinheiro a toda hora! Cheguei a escutar em Gizé: ‘Come on! Euro, dollar, pounds, anything with shine!’. Eu olhei para ele e disse: ‘No more money! It’s a present to you, from Brazil!’ E ele continuou enchendo os tubos. Virei de costas e me abaixei para entrar no túnel que me levaria à superfície e ele: ‘Do you have a pen?’. Putz! Um havia me perguntado isso lá em cima, esse me pergunta aqui em baixo. Disse que não e ele fez sinal de que era pra eu escrever dentro da pirâmide, nas paredes! Inacreditável! Olha a proposta miserável que este cara estava me fazendo! Falando pra eu escrever dentro de um patrimônio de mais de 4.500 anos! Pensei até em chamar a polícia, mas sei que de nada adiantaria e era capaz de eles me pedirem mais dinheiro e concordar com a proposta que aquele cidadão me fazia! Subi o túnel para encontrar a Fer, muito indignado com aquilo. Fica a pergunta: será que algum turista idiota faz isso? Tem coragem pra escrever dentro de uma pirâmide? Esse é o Egito e a história de como são tratados os monumentos históricos, patrimônios da UNESCO em locais mais distantes das turísticas Pirâmides de Gizé (isso que lá não é nenhum Museu Hermitage, Louvre ou Smithsonian, pelo contrário, consegui ficar bem preocupado também em Gizé).
Depois de encontrar a Fer que estava sentada na sombra com outras turistas que não desceram para o interior desta pirâmide fomos visitar uma Tumba de um faraó que existe ali.
Ainda existe muita coisa sendo escavada neste sítio arqueológico. Parece até cena dos filmes de Indiana Jones. Aquelas tendinhas brancas e pessoas carregando sacos com areia retirada das escavações e tudo isso cercado por arame farpado.
Voltamos para o carro e fomos para a Step Piramyd de Djoser, que fica a um quilômetro dali onde estávamos, ainda em Saqqara. Passamos por dentro do complexo Funerário de Djoser até uma área mais aberta de onde tivemos uma boa vista da Step Piramyd e retornamos para o táxi e pedimos para retornar para o hotel.
Pirâmide que visitei seu interior em Saqqara
Algumas das pirâmides de Saqqara
Fer em Saqqara
Djoser's Step Piramyd (Saqqara)
Do hotel, tomamos um lanche em uma lancheria chamada Cilantro na esquina a Al-Missaha Square e tomamos outro táxi pro zoológico do Cairo, que fica bem perto do hotel que estamos.
A entrada do zôo custa 2 libras egípcias para egípcios e 20 libras egípcias para não egípcios. Pagamos as entradas e uma autorização para fazermos filmes lá dentro e fomos! Bem faceiros com o mapa do zôo em árabe! Calculem!
O zôo é legal! Animais bem cuidados apesar da aparência das jaulas e cercados não ser das melhores. Já na entrada pudemos ver os flamingos, cerca de 100 destes animais, e que não são tão cor de rosa como outros que já havia visto. Andamos mais um pouco e paramos para ver as raposas do deserto. Pequenos animais com orelhas gigantes que pelo que lembro, servem para auxiliar a dissipar o calor. Ali, um funcionário do zôo, nos chamou e fomos para trás destas jaulinhas e ele nos mostrou um gato do mato, cachorros que pareciam cocker (isso mesmo cachorros em exposição no zôo), mangusto (aquele animal que enfrenta e mata as cobras reais, chamadas por nós de najas) e até gato-persa! Calculem, fiquei de cara! Um bichano, preso em uma jaula! Esse cara oferecu para pegarmos os bichos para tirarmos fotos, mas dissemos que fotos ali não eram permitidas. E ele fez sinal de não dêem bola! Podem tirar! Dissemos não novamente e fomos saindo. Nisso, ele: ‘Hey! Tip for me! Money!’. Respondi: ‘I’ve already paid entrance there!’. E ele: ‘No english!’. Mas ele entendeu o que eu disse! Tenho certeza! Fomos saindo para seguir nossa visita nesse zôo. Andamos vendo diversos animais das savanas africanas. Antílopes, gazelas e outros do gênero. Chegamos na grande jaula que abriga o Rei das Selvas, o leão. Não havia nenhum ali. Um funcionário do zôo aproximou-se e disse que poderíamos entrar em uma espaço reservado e pegar um filhote que estava separado, junto com outros, para tirarmos uma foto! Que inferno!! Que corrupção! Minhas alma! Agradecemos e seguimos andando, impressionados!.
Chegamos então na área dos répteis. Ali, deve-se comprar um ticket separado, por 2 libras egípcias para qualquer pessoa. Pagamos e entramos para ver o crocodilo do Nilo, tartarugas, serpentes e lagartos. Valeram os 2 egiptian pounds!
Vimos elefantes, mais raposas, orangotangos, chimpanzés, dezenas de aves de todos os tamanhos e espécies. Mas o que achei bem interessante foram os hipopótamos! Existem dezenas desses animais nesse zôo e claro que funcionários se oferecendo em troca de propina para alimentarmos os animais e tiramos fotos, mesmo que elas não sejam permitidas ali! Também existem aqueles cabritos das montanhas, babuínos e vimos árvores identificadas como sendo de vários países, inclusive do Brasil e entre elas paineiras e jacarandás.
Mas a atração principal do zôo nesta quarta, no Cairo éramos nós. Eu e a Fer! Todo aquele bando de pessoas que ali estavam nos olhavam o tempo inteiro. Chegava a ser irritante. Cada bando de adolescentes ou de adultos (homens) que passavam falavam coisas em árabe direcionadas a Fernanda. Não precisa falar árabe pra ter certeza! O pior é que são machos em bando! Sozinhos nada falam. Continuo impressionado com a falta de respeito do povo egípcio! Claro que salvam algumas pessoas, acho que 10% no máximo. E desses 10% uns 5% deve trabalhar com turismo e o restante devem ser pessoas com caráter e respeito. Porque o restante…Por diversas vezes me segurei, engoli seco! Ainda bem que sou civilizado! Bem diferente do que já fui! Mas é muito difícil digerir isso tudo! Estou até agora remoendo e não sei por quanto tempo ainda ficarei!
Escutávamos algumas simpáticas palavras em inglês como: ‘fuck you!’ ou ‘bitch’ e outras tanta mais! Todas carinhosas deste jeito! Fico me perguntando se é isso que o Corão ensina ou se isso é o povo egípcio mostrando seu jeito verdadeiro de ser? Vai saber.
Acabada a visita ao zôo, voltamos para o hotel e fomos para a piscina! Relaxar e comer um ranguinho de primeira qualidade! Outra coisa dentro desta ‘bolha’ que é um hotel 5 estrelas.
Agora é arrumar as malas e seguir para a última parte de nossa longa e inesquecível viagem: Paris!

Piscina no Safir Cairo Hotel


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Cairo - dia 17

Salam Malenko! Pulamos da cama às 6 da matina para efetuarmos nosso plano principal: Pirâmides de Gizé! Ao chegarmos no café reparei que todas as pessoas do hotel tiveram a mesma idéia! Estava cheio!
Tomamos nosso café e para não passar a mesma raiva de ontem, no metrô e nas ruas e também porque não há estação de metrô na área das Pirâmides e para irmos de transporte público seria bem complicado e bem perigoso para nós com essa cara de gringos em um país islâmico, decidimos tomar um táxi. Ninguém acredita quando dizemos que somos brasileiros! Dizem: mas a pele de vocês é branca! Nessa hora, nem perco tempo explicando que sou filho de gaúchos, nascido no Rio Grande do Norte, criado na Amazônia, mais precisamente em São Gabriel da Cachoeira e em Casca - RS e Lages - SC, que quando adolescente morei novamente em São Gabriel da Cachoeira e depois morei em um Colégio Militar em regime de internato em Porto Alegre, depois em São Gabriel na campanha gaúcha, em Lages novamente e fiz faculdade em Florianópolis e depois de formado já morei em Videira - SC, Marau - RS, São Mateus do Sul - PR, Uberlândia e Poços de Caldas - MG. Sou flamenguista e Capoeira a mais de 20 anos! Quer mais brasileiro que isso?
Combinamos o preço até as Pirâmides com um tiozinho na frente do hotel (25 libras egípcias) para ir. No caminho ele torrou o saco querendo nos levar para outros pontos turísticos do Cairo, tipo Sakkara e outras pirâmides, Old Cairo, mesquitas, sinagogas e igrejas. Mas não queríamos isso! Tentou, falou, ofertou, disse que estávamos fazendo tudo errado, que deveríamos ir nas outras pirâmides primeiro e depois em Gizé. Nós, firmes, mantivemos o plano original: Pirâmides de Gizé. E depois teríamos a confirmação que essa foi a melhor escolha!
No caminho, pudemos ter mais outra visão do Cairo para os lados das grandes Pirâmides com as suas ruas sujas e prédios mal acabados, retrato da pobreza que assola o lugar. Antenas por cima das casas e prédios me fazem pensar que ter um negócio de antenas aqui deve ser uma boa.
Curtindo a ‘viagem’ até as Pirâmides, dobramos em uma ruazinha, estreita e uma vizinhança bastante pobre, e já avistamos as pirâmides! Quem pensa que elas são distantes da cidade se engana! São na borda do Cairo! Me impressionei com isso.
Chegamos em frente ao posto de venda dos tickets de entrada 20 minutos antes do posto abrir. O taxista, disse que ficaria esperando para nos levar de volta ao hotel.
Havia dois estrangeiros lá, já esperando e chegaram logo em seguida mais 4 escoceses. Nos 20 minutos que esperamos até a abertura e início das vendas dos tickets de entrada, às 8 da manhã, umas 5 pessoas vieram tentar nos vender bugigangas e oferecer passeios de cavalo ou camelo. Agora sei o que um gringo sente no Brasil quando fica sendo assediado por um monte de ambulantes oferecendo milhares de coisas e querendo o dinheiro deles. Muito desagradável essa sensação!
Pois bem, pagamos 60 libras egípcias cada um nos tickets e após o detector de metais e raio-X na mochila passamos os portões de entrada! Estávamos no Giza Plateau! De frente para as Pirâmides de Gizé, que na verdade não são somente Queóps, Quéfren e Miquerinos, porque existem mais algumas menores que a Miquerinos ao redor de todas elas. A Esfinge é pequena quando comparada com as Pirâmides. Ou melhor, ridiculamente pequena! Imaginava que ela fosse gigante (não que ela seja um chaveirinho), mas não é.
Empolgada?
Esfinge e Quéfren
Não havia nenhum turista fora nós e os outros seis que estavam na entrada conosco. Ambulantes que ali trabalham, entram pelo portão principal com suas credencias e vão subindo a estrada asfaltada de cerca de 1,5 km que leva até as Pirâmides. Em meio a eles, vão subindo guardas da Polícia Egípcia de Turismo e Antiguidades, com suas fardas brancas e boinas pretas, pistolas e fuzis AK-47. Muitos outros ambulantes vão pulando os muros de cerca de 5 metros de altura que cercam o complexo aonde elas estão localizadas. Esses provavelmente não são credenciados, mas ninguém fazia nada, e deixava eles passarem livremente e irem rumo aos seus pontos de comércio, em meios a à esses monumentos de mais de 4.500 anos e a única, das 7 Maravilhas do Mundo ainda em pé!
Não havia aquela turistada que sai em todas as fotos que eu já havia visto das Pirâmides. Estava vazio! Ao longe, pelo lado oposto à cidade, era possível avistar pessoas montadas em seus camelos que vinham em direção ao Giza Plateau, para servirem como mais um atrativo turístico para as pessoas que ali, em pouco tempo estariam, para lotar o complexo.
Passamos ao lado da Esfinge e tiramos várias fotos com o monumento em uma condição totalmente diferente de quando voltamos para a sair do local. Vazia! Nem uma pessoa aparece nas fotos, somente nós!
Seguimos então meio pela estrada, meio pela calçada que na verdade é um ladinho de areia com um meio fio que o separa da estrada. Em cima desta pequena colina, à esquerda está a maior das Pirâmides de Gizé. Queóps!
Queóps
Quéfren
Miquerinos
 Queóps é realmente gigante! Acho que deve ter mais de 120 metros de altura! Em frente dela, existem diversas ruínas e resquícios de outras pirâmides menores. Entramos em uma dessas construções, bem curiosos, e um local vinha saindo de lá e oferecendo para entrarmos em uma câmara que ele dizia ser de múmias. Não aceitamos e após uma rápida olhada no interior deste pequeno labirinto que pode causar até uma rápida claustrofobia nos menos avisados saímos ali de dentro. Após outra sessão de fotos cruzamos a estrada em direção a segunda maior delas, Quéfren! Nisso, ônibus de turismo começavam a encostar em um estacionamento que existe em frente a esta segunda Pirâmide.
Como na primeira, essa também tem umas ruínas em sua parte frontal e já haviam diversas pessoas em camelos, oferecendo para os turistas tirarem fotos, subirem nos camelos e outras mais. Existe um papo que no Cairo é pague 1 euro para subir em um camelo e 10 euros pra descer. Eles oferecem a subida no camelo por 1 euro. A pessoas sobem e então eles dizem que são 10 euros e se a pessoa não paga eles não dão o comando para o camelo se abaixar e fica difícil para um turista, sem preparo e muitas vezes sem nenhuma coragem, pular de cima de um animal com mais de 2,5 metros de altura. Essa pirâmide tem seu topo mais conservado, parece. A estrutura superior externa parece ter resistido melhor ao seu tempo de existência que as demais. A de Queóps possui uma estrutura de metal lá em cima que parece ser uma antena ou pára-raio e o seu topo já não mais existe.
Dali, seguimos andando para a Miquerinos, a terceira das principais e menor delas. Ao contrário das duas primeiras, essa não tinha a plaquinha de advertência para não subir na pirâmide e ao seu lado existem mais três pirâmides que agora não sei precisar o nome. Todas fechadas à visitação interna.
Até que ali existe uma boa quantidade de guardas, com pistolas e fuzis, mas parecem não dar muita bola para o que ocorre ao redor. Tiramos mais fotos nas pirâmides menores e fomos dar a volta completa na Miquerinos quando apareceu um guarda, ‘montado de a camelo’ como diriam lá na minha Lages amada! Perguntamos se era possível subir na Miquerinos e ele fez sinal que sim. Subi umas duas ou três alturas de pedra pra Fer tirar uma foto e desci rapidamente, um pouco para não deixá-la sozinha, longe de mim em meio ao deserto, pedras e o povo, e um pouco por peso na consciência de estar pisando em tantos anos de história. Não era certo.
Uma das menorzinhas, ao lado da Miquerinos, para ter-se uma idéia do tamanho delas
Circundamos ela por completo e quando chegávamos em seu lado que ainda não havíamos estado, guardas armados não deixaram a gente pisar na parte calçada que leva à uma entrada da pirâmide que parece estar em reforma e talvez em preparação para futuras visitações e gritavam num inglês tosco: ‘That way, that way!’. Bem, fomos nos afastando, voltando em direção à pirâmide de Quéfren e olhei para trás e o guarda estava colocando mais um fuzil Kalashnikov perto dele! Bando de loucos!
Quéfren e Queóps mais ao fundo
Chegando de volta na Quéfren tivemos um choque pela quantidade de ônibus de excursões que ali haviam chegado. Haviam pelo menos 70 ônibus estacionados e a muvuca era grande!
Ainda sobre os guardas egípcios, que parecem até profissionais e depois daquele que encontramos na Miquerinos e me pediu dinheiro (que é claro que não dei), ao lado da Quéfren outro dois com seus fuzis atravessados nas costas, pareciam profissionais orientando as poses dos turistas e tirando fotos com as máquinas dos próprios turistas e cobrando para isso. Pedi para tirar uma foto com o seu AK-47 e eles não deixaram e fizeram aquele sinal universal de cadeia indicando que não eram permitidos. Mas acho que com um pouco de paciência e disposição para dar umas 50 libras egípcias eu teria conseguido.
Vimos então uma fila, que quando chegamos não existia, para a visitação da parte interna desta pirâmide. Fomos até ela, que devia ter umas 150 pessoas e quando perguntamos sobre os tickets para a visitação interna, fomos informados que teríamos que ir até o outro lado da Queóps, comprar os tickets e voltar para enfrentar fila novamente! O sol escaldante e a cabeça feita pela vista privilegiada que tivemos das pirâmides logo cedo, sem ninguém, para nós já era suficiente.

Tivemos que olhar para trás na saída...
Decidimos então voltar para o hotel. O taxista estava nos esperando e ao chegar no hotel pagamos a corrida de ida e volta: 50 libras egípcias! Se formos ver, isso em reais é muito pouco! Pobre deste povo que trabalha e ganha tão pouco com um dinheiro nada valorizado! Isso ajuda a explicar muita coisa por aqui, como a pobreza e desespero das pessoas em tentar vender coisas aos turistas de qualquer maneira. A arte de vender, que aprendemos nessa viagem que em Istambul é questão de honra, aqui parece ser questão de sobrevivência!
Chegamos no hotel eram 10 e meia da manhã! Destino: piscina! Já que fomos alocados em um hotel 5 estrelas, devido a um engano da agência que não havia confirmado nossa reserva no primeiro hotel sugerido, temos que aproveitar algumas das regalias deste que estamos.
Almoçamos ali mesmo, salada Caesar e alguns desses molhos de comida árabe (hummus, babaganoush e outro que não lembro, também não sei a maneira correta de escrever).
Depois deste descanso veio a segunda parte da expedição diária, o Mercado Khan el Khalili, conhecido como Mercado Egípcio. Fomos de táxi novamente que aprendemos que aqui não é tão caro e parece ser, pelo menos a primeira vista, mais seguro que andar nas ruas onde não se entende o que está escrito nas placas e sob o olhar por vezes raivoso, curioso ou rancoroso das pessoas sobre nós. Esse taxista, à exemplo do primeiro, nos ofereceu um passeio de dia inteiro pelo Cairo, pirâmides, imediações, Old Cairo, igrejas, mesquitas, sinagogas, museus e tudo mais, das 8 da manhã às 6 da tarde por 200 libras egípcias. Pouco mais que 65 reais. Confirma a idéia de que por aqui a vida dos locais é dura!
Este mercado não se parece me nada com o de Istambul! À céu aberto, uma loucura. Os vendedores avançam sobre os turistas e oferecem mercadorias de todo o tipo, lenços, estatuetas, temperos, camisetas, batas, artigos de metal e tantas outras coisas. Gatos convivem correndo em meio a esta confusão toda de pessoas e mercadorias e em meio a sujeira. É visível na testa de muitos dos homens as marcas, calos formados, pela sua devoção à religião. Mulheres passam em meio aos homens, com seus lenços coloridos ou por vezes pretos, com somente o rosto de fora e por vezes somente mesmo os olhos.
No Khan el-Khalili
Pegamos um táxi para o nosso próximo destino no bairro/ilha de Zamalek, a Fair Trade Egypt que é aquela loja que comentei ontem que não havíamos achado. Ela, fica no endereço: 27 Yehia Ibrahim, Zamalek, apt 8. Ali, pudemos conhecer a adquirir alguns artigos de artesanato que respeitam os artesãos e as comunidades nas quais eles estão inseridos e assim garantindo que eles terão continuidade em sua existência e poderão assim manter sua atividade de subsitência.
Fair Trade Egypt
Pegamos outro táxi e voltamos para o hotel e depois jantamos no Pizza Hut que fica na esquina do hotel em que estamos hospedados!
Amanhã, a idéia é visitar o zoológico do Cairo, espero que possamos ir lá e que dê tudo certo. Até amanhã, se Deus quiser! Malenko Salam!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Cairo - dia 16

Hoje uma grata surpresa no hotel, o café da manhã! Bateu o do Sokos Helsinki. E eu que achei que nenhum café da manhã de hotel bateria aquele lá!
Depois do café, saímos para nossa exploração e visitação do dia: Museu Egípcio do Cairo e Torre do Cairo, local de onde segundo relatos teríamos uma excelente vista da cidade do Cairo e talvez, dependendo do tempo até das Pirâmides de Gizé.
Como de costume, seguindo nosso modelo de fazer turismo, tentando nos misturar a população fomos caminhando até uma estação de metrô, próxima do hotel que estamos ficando e que fica na mesma linha e a uma parada da estação próxima da Torre do Cairo (Cairo Tower) e também na mesma linha, mas a duas paradas da estação do Museu Egípcio do Cairo. Como este era mais distante, decidimos ir primeiro nele.
Chegamos na estação Dokki e fomos comprar os tickets. Aqui, eles são muito semelhantes aos tickets do metrô de São Paulo, de papel, e com aquela faixa magnética de cor preta, descentralizada ao longo do ticket.
No metrô, existem dois vagões, no centro do trem que são reservados somente para mulheres, mas nos demais carros, também são permitidas mulheres, mas são a grande minoria. Acho que nem 1% dos passageiros. A grande maioria das mulheres usa lenço na cabeça e roupas compridas, só deixando à vista as mãos e rosto. Algumas, somente os olhos, faltando pouco para ser uma burca (sendo que também vi algumas de burca). Os homens, parecem que nunca viram uma mulher na vida e olhavam para a Fer na cara dura, mesmo ela estando com roupas cobrindo sei corpo inteiro e lenço sobre sua cabeca, deixando a mostra somente seu rosto. Muitos com calos na testa de tanto orarem para seu Deus e praticarem sua religião. Quanto ao comportamento, pedreiros de obras que mexem com mulheres no Brasil, perdem de longe para os esse religioso povo daqui. Me impressiona, dizerem ter tanto respeito e serem tão religiosos ,rezando 5 vezes por dia e esconderem suas mulheres em roupas quentes, em um clima de 35 graus Célsius, e faltarem tanto o respeito com as mulheres ocidentais. Hipocrisia? Sei lá!
Depois de duas paradas do metrô, chegamos na estação que queríamos, estação Sadat. Subimos ao nível da rua e depois de uma rápida olhada ao redor identificamos o museu. Tínhamos agora que atravessar a rua para lá chegar. Nesse trânsito, caótico, para atravessar a rua de um lado a outro ninguém respeita sinais. Pessoas vão atravessando por entre carros, vans e motos (não se usa capacete) que buzinam o tempo inteiro. Incrível e até irritante o barulho das buzinas.
Ao chegarmos na entrada do museu, guardas com fuzis AK-47 de cada lado da entrada protegidos por um tapume de metal na sua frente. Depois de passar por estes guardas, existe um detector de metais e um aparelho de raio-X para passar a mochila dentro e um dos guardas, armados com pistolas, provavelmente 9 mm, perguntam de onde a pessoa é e dependendo deixam entrar. Não vimos ninguém ser barrado, por isso não consegui entender o porquê de tal pergunta.
Anda-se então, uns 100 metros, por uma rua estreita em frente a fachada frontal do museu, onde ainda há muitos guardas em suas típicas fardas de cor branca e pistolas e metralhadoras 9 mm e alguns com fuzis AK-47 (os famosos kalashnikovs). No portão principal de entrada do Museu, há um novo detector de metais e então à direita a bilheteria. Os tickets custam 50 libras egípcias para adultos. Com os tickets em mãos, fomos para a entrada, passamos a roleta após apresentar o ticket e então novo detector de metais e aparelho de raio-X. Aqui, os guardas também armados, mandam as pessoas que tem câmeras filmadoras ou fotográficas voltarem e deixá-las em um guarda-volumes, do lado da bilheteria. Estranho eles não indicarem essa necessidade já na entrada e fazerem as pessoas voltarem depois de tantos detectores, catracas e guardas armados.
Agora então estávamos prontos para a nossa visita às peças do Egito antigo. Acho que devem existir mais de 150 sarcófagos no Museu. De todos os tipos e tamanhos. De pedra, madeira, pintados, esculpidos, grandes, pequenos, de reis, faraós, rainhas, crianças e animais! Sim, animais! Na parte interna dos sarcófagos existem pinturas com as coisas que o morto irá precisar em sua outra vida como escravos, comida, espelhos e tantas outras coisas.
Câmaras mortuárias, mesas de preparação dos cadáveres para mumificação e aqueles potes que eles colocavam as vísceras dos mumificados dentro. Peças que datam de mais de 2.500 anos a.C. Muita coisa. Artefatos de cozinha, de caça, cultivo de terra (afinal, o Delta do Rio Nilo era famoso por sua fertilidade após as famosas cheias do Nilo). Enfeites diversos enriquecem este museu. Colares, brincos, tiaras, diademas e tantos outros. Existem diversas amostras de tecidos e roupas. Alguns barcos, que dadas as circunstâncias e idade, encontram-se em o que podemos chamar de bom estado de conservação. Cerâmicas, estatuetas, estátuas e alguns artefatos de vidro. O museu tem dois andares e depois de andarmos todo o primeiro andar fomos para o andar superior. Ali, existe a exposição das múmias dos faraós e a visitação custa mais 100 libras egípcias por pessoa (o dobro do preço de entrada do museu). A Fer não gosta de ver estas múmias e eu não achei justo pagar o dobro do preço da entrada para ver 7 múmias, então decidimos não entrar nessa parte e seguimos nossa visita. No segundo andar está todo o conteúdo da Tumba de Tutankamon. O tesouro, sarcófago, câmaras mortuárias e tudo mais. Junto com ele foram enterrados animais, comida, bigas, roupas, mobília e tudo mais que ele poderia precisar em sua outra vida. Incrível! Pudemos ver uma sala de antigas jóias egípcias, muito bonitas e com destaque para anéis e colares, alguns deles com detalhes de escaravelhos e outros animais.
Na sala do sarcófago de Tutankamon esta exposta a máscara de sua múmia. Toda de ouro e que eu lembro de ter visto em meus livros de história. Lá estão seus três sarcófagos e toda a ornamentação de sua múmia. Do lado de fora desta sala, estão expostas, uma após a outra, as quatro câmaras onde seu sarcófago foi encontrado.
O museu em si é simples e vimos várias pessoas trabalhando em algumas partes, ou restaurando peças antigas, ou catalogando outras. Algumas peças possuem identificação em árabe e inglês e outras além destes dois idiomas em francês. Mas o interessante é que a maioria dessas identificações são datilografadas (já podem até ser consideradas parte do acervo do museu)! O seu interior não possui ar condicionado, somente as salas do sarcófago de Tutankamon, a sala das jóias do antigo Egito e provavelmente a sala que não entramos, das Múmias Reais.
Saímos do museu suando, sob um calor de 32 graus. Depois de pegarmos as câmeras, fomos tomar uma água e um picolé na cafeteria do museu antes de seguirmos para o metrô para irmos para a Torre do Cairo.
Em frente ao Museu Egípcio do Cairo
Em frente ao Museu Egípcio do Cairo
Da estação Sadat, descemos na estação Gezira (ou Opera). Na saída dela já localizamos a Torre do Cairo, mas tivemos que dar uma volta bem grande para chegar até ela. Ali, os tickets custam 70 libras egípcias por pessoa e permitem a subida na torre que tem 187 metros de altura em um elevador com ar condicionado. A vista lá de cima é muito legal e consegue-se ter uma boa idéia da dimensão desta grande cidade do norte da África. O Rio Nilo, algumas de suas pontes, o bairro (ilha) de Zamalek, o movimento dos barcos e ao longe, o vulto das Pirâmides! Diz-se que em dias de tempo mais claro, com uma melhor visibilidade é possível vê-las melhor.

Cairo Tower vista de baixo
Fer e o Rio Nilo ao fundo
O Nilo
No alto da Torre do Cairo
Eu e a Fer na Torre do Cairo
Descemos dois andares na torre e fomos em um restaurante que é giratório! Incrível isso. O ar condicionado é convidativo a ficar algum tempo lá dentro. Pedimos uma entrada com charutos (enrolados em folhas de parreira), kibes (parecidos com aqueles de Istambul), um pastelzinho assado com queijo branco dentro e asas de frango fritas (aquelas que se abre a coxiha da asa e se usa o osso para segurar o petisco). Pedimos como prato principal um sea bass (peixe que não sabemos o nome em português) para a Fer e um misto de carnes assadas para mim. Quando chegaram os aperitivos me apavorei pensando como conseguiríamos comer o prato principal! Too much food! Mas demos conta do recado. Depois do almoço, descemos no elevador conversando com um nigeriano que falava um bom inglês britânico com sotaque nigeriano!!
Como estávamos no bairro de Zamalek, e meio que localizamos de cima da torre a região central deste bairro/ilha, onde lemos que há uma loja de ‘fair trade’ que é aquele artesanato que respeita o meio ambiente e garante que os artesãos receberão um preço justo por seu trabalho.
Caminhamos bastante em meio a ruas sujas e sem calçadas. Taxistas buzinado para nós e oferecendo corridas a todo o momento enquanto queríamos simplesmente andar naquela região. Procuramos a Fair Trade Cairo e não encontramos. Perguntamos em um loja de doces, perguntamos a alguns guardas de embaixadas da região (que falam somente árabe), todos armados com fuzis AK-47, e a Fer perguntou também para duas mulheres muçulmanas que estavam andando na rua, mas não conseguimos achar.
O calor intenso e cansaço nos fez lembrar da piscina do hotel e decidimos então tomar um táxi até a estação Gezira (ou Opera) para retornarmos para o hotel. Negociamos a corrida por 10 libras egípcias (pouco mais de 3 reais) e fomos para a estação. O taxista não falava inglês e mostrei a nota de 10 libras para ele que disse: ‘Ok!’ e fomos. No meio da corrida ele ligou o rádio para escutar a prece do Corão! Pode parecer preconceito ou outra coisa qualquer, mas fico meio cabreiro, em meio a um mundo árabe, nós com essa cara de gringos (e aqui somos), mas chegou a me passar pela cabeça o perigo de sermos sequestrados por engano por um radical maluco! Vai saber! Só vi uma policial armada dentro do Museu Hermitage em São Petersburgo, Rússia, local onde pensei que veria fuzis e carros de combate por todos os lados e aqui já vi muita, mas muita gente armada como já descrevi aqui neste post.
Ao chegarmos no hotel, colocamos nossa roupa de banho e fomos para a piscina, ‘loucos de faceiros’ e ao lá chegar: ‘It’s closed! Chemical treatment!’ então falamos que está no livro dos quartos que a piscina era aberta até as 7 da noite e os funcionários: ‘Only until sunset!’ Rolou até uma pequena discussão entre eu e o funcionário responsável pelo setor recreacional do hotel que queria saber o número de nosso quarto, mas acabamos retornado para o quarto e tomando nosso refrescante banho que acabou com o banheiro inundado pelo chuveiro que cai durante o banho e assistindo um pouco de televisão, que fica mais tempo preto e branca que colorida!
Amanhã tem mais, provavelmente as esperadas Pirâmides!

Ruas do Cairo